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Arte Espírita

   A arte surgiu com a humanidade, segundo o filósofo grego Aristóteles, a arte de imitar faz parte do próprio homem, desde as cavernas o homem já fazia gestos, para se comunicar e usava o sangue dos animais, carvão, barro e outros materiais para fazer as pinturas rupestres em suas cavernas ilustrando assim os fatos do seu dia a dia. Já na Grécia a arte desabrochou na cultura e arquitetura através das belas esculturas, e monumentos. Contam as tradições, que foi o grego Téspis que inventou a arte de atuar, durante um ritual de homenagem ao Deus Grego Dionísio, ele assumiu a figura do deus do vinho usando uma máscara. Deu certo e ele começou a imitar outros deuses da Grécia, surge ai a arte dramática, o teatro. Na idade média a arte se volta para fins religiosos, é a arte cristã substituindo a arte pagã (politeísta), para ensinar aos fiéis o caminho da salvação. No séc. XII surgem os “autos”, ou peças religiosas, que tomam as praças públicas. No Brasil após o descobrimento sabe-se que o padre espanhol José de Anchieta, com a missão de evangelizar os índios, na companhia jesuítica, usou de teatro para educar, sendo o primeiro evangelizador a usar arte na educação no Brasil.

Percebemos assim que a arte sempre acompanhou a humanidade em todas as suas fases e como qualquer cultura sofreu a influência das épocas e sempre esteve ligada ao sentimento humano. Então uma boa definição de arte seria: expressão do sentimento humano. Mas qual a relação da arte com o Espiritismo?

   O Espiritismo em seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso é um dos que mais estuda o sentimento humano, sua psique, a forma de atuação do homem no seu meio, com ele mesmo e com o próximo.
  O Espiritismo então, dá às artes um mar de recursos, como disse Allan Kardec em Obras Póstumas: “O conhecimento da realidade espiritual oferece um leque imenso de possibilidades criadoras aos artistas que buscam banhar-se nesse mar de recursos”, Aliás o termo arte espírita foi dito por Kardec pela primeira vez na Revista Espírita, edição de dez de 1860, quando ele indaga o Espírito Alfred de Musset, este termo não seria um novo estilo de arte, mas um movimento artístico com características mais voltadas para o amor, para a paz e com os conhecimentos espíritas da vida futura, reencarnação e mundo espiritual. Leon Denis, contemporâneo de Kardec define ainda melhor a arte espírita em seu livro “O espiritismo na Arte” mostrando que ela é a manifestação da beleza eterna e que essa beleza eterna é trabalhar os nossos sentimentos ao encontro do Criador. Muito mais que um entretenimento de tempo é hora da arte na casa espírita ser vista como uma ferramenta de evangelização e educação do ser, proporcionando através das emoções tocar as cordas vibráteis da alma. Seja com uma música, uma peça, um filme, uma pintura, uma dança fazendo-nos refletir com esclarecimento e consolo na Doutrina Espírita. A arte então com o Espiritismo tem uma relação de criar uma harmonia entre a ética e a estética.

por Cleiton de Freitas, (cleiton.cesom@gmail.com)
Pós-graduado em Produção Audiovisual
Artista espírita no campo do audiovisual/teatro e poesia.
Apresentador/diretor e produtor do Programa Arte Espírita da FEBTV
conheça mais o trabalho da arte espírita no site: www.artespirita.com.br


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Kardec falava no século 19 em arte espírita.

Revista Espírita 1860 » Dezembro » Arte pagã, arte cristã, arte espírita


Na sessão da Sociedade, de 23 de novembro, tendo-se manifestado espontaneamente o Espírito de Alfred de Musset (ver detalhe adiante, na sessão “Dissertações espíritas recebidas ou lidas na Sociedade por vários médiuns”), foi-lhe dirigida a seguinte pergunta:
─ A pintura, a escultura, a arquitetura e a poesia inspiraram-se sucessivamente nas ideias pagãs e nas cristãs. Podeis dizer-nos se depois da arte pagã e da arte cristã haverá algum dia uma arte espírita?
O Espírito respondeu:
─ Fazeis uma pergunta respondida por si mesma. O verme é verme; torna-se bicho da seda, depois borboleta. Que há de mais aéreo, de mais gracioso do que uma borboleta? Então! A arte pagã é o verme; a arte cristã é o casulo; a arte espírita será a borboleta.
Quanto mais se aprofunda o sentido desta graciosa comparação, mais se lhe admira a exatidão. À primeira vista poder-se-ia supor que o Espírito tivesse a intenção de rebaixar a arte cristã, colocando a arte espírita no coroamento do edifício, mas não há nada disto, e basta meditar nesta imagem poética para lhe captar a precisão. Com efeito, o Espiritismo apoia-se essencialmente no Cristianismo. Não vem substituí-lo. Completa-o e veste-o com roupagem brilhante. Nas fraldas do Cristianismo encontram-se os germes do Espiritismo. Se eles se repelissem mutuamente, um renegaria o seu filho, o outro, o seu pai. Comparando o primeiro ao casulo e o segundo à borboleta, o Espírito indica perfeitamente o laço de parentesco que os une. Há mais: a própria imagem pinta o caráter da arte que um inspirou e que o outro inspirará. A arte cristã teve que inspirar-se principalmente nas terríveis provações dos mártires e revestir a severidade de sua origem materna. A arte espírita, representada pela borboleta, inspirar-se-á nos vaporosos e esplêndidos quadros da existência futura desvelada. Ela plenificará de alegria a alma que a arte cristã havia penetrado de admiração e de temor. Será o canto de alegria após a batalha.
O Espiritismo encontra-se inteiramente na teogonia pagã, e a mitologia não passa de um quadro da vida espírita poetizada pela alegoria. Quem não reconheceria o mundo de Júpiter nos Campos Elíseos, com seus habitantes de corpos etéreos; os mundos inferiores no Tártaro; as almas errantes nos manes; os Espíritos protetores da família, nos lares e nos penates; no Lates, o esquecimento do passado, no momento da reencarnação; nas pitonisas, os nossos médiuns videntes e falantes; nos oráculos, as comunicações com o além-túmulo? A Arte necessariamente teve de inspirar-se nessa fonte tão fecunda para a imaginação, mas para elevar-se até o sublime do sentimento, faltava-lhe o sentimento por excelência: a caridade cristã.
Os homens só conheciam a vida material. A Arte procurou, antes de tudo, a perfeição da forma.
A beleza corporal era, então, a primeira de todas as qualidades. A Arte apegou-se a reproduzi-la, a idealizá-la, mas só ao Cristianismo estava destinado ressaltar a beleza da alma sobre a beleza da forma. Assim, a arte cristã, tomando a forma na arte pagã, adicionou-lhe a expressão de um sentimento novo, desconhecido dos Antigos.
Mas, como dissemos, a arte cristã teve que se ressentir da austeridade de sua origem e inspirar-se no sofrimento dos primeiros adeptos; as perseguições impeliram o homem ao isolamento e à reclusão, e a ideia do Inferno à vida ascética. Eis por que a pintura e a escultura são inspiradas, em três quartos dos casos, pelo quadro das torturas físicas e morais; a arquitetura se reveste de um caráter grandioso e sublime, mas sombrio; a música é grave e monótona como uma sentença de morte; a eloquência é mais dogmática do que tocante; a própria beatitude tem um cunho de tédio, de desocupação e de satisfação toda pessoal. Aliás, ela está tão longe de nós, colocada tão alto, que nos parece quase inacessível, e por isso nos toca tão pouco, quando a vemos reproduzida na tela ou no mármore.
O Espiritismo nos mostra o futuro sob uma luz mais ao nosso alcance; a felicidade está mais perto de nós, ao nosso lado, nos próprios seres que nos cercam e com os quais podemos entrar em comunicação; a morada dos eleitos não é mais isolada: há solidariedade incessante entre o Céu e a Terra; a beatitude já não é uma contemplação perpétua, que não passaria de eterna e inútil ociosidade: está numa constante atividade para o bem, sob o próprio olhar de Deus; não está na quietude de um contentamento pessoal, mas no amor recíproco de todas as criaturas chegadas à perfeição. O mau já não é degredado nas fornalhas ardentes, pois o Inferno se acha no próprio coração do culpado, que em si mesmo encontra o seu próprio castigo, mas Deus, em sua bondade infinita, deixando-lhe o caminho do arrependimento, deixa-lhe, ao mesmo tempo, a esperança, essa sublime consolação do infeliz.
Que fecundas fontes de inspiração para a Arte! Que obras primas essas ideias novas podem criar pela reprodução de cenas tão variadas e ao mesmo tempo tão suaves ou pungentes da vida espírita! Quantos assuntos ao mesmo tempo poéticos e palpitantes de interesse no incessante relacionamento dos mortais com os seres de além-túmulo; na presença, junto a nós, dos seres que nos são caros! Não será mais a representação de despojos frios e inanimados. Será a mãe tendo ao seu lado a filha querida, em sua forma etérea e radiosa de felicidade; um filho ouvindo atentamente os conselhos do pai que vela por ele; o ser pelo qual se ora, que vem testemunhar o seu reconhecimento. E, numa outra ordem de ideias, o Espírito do mal insuflando o veneno das paixões; o malvado fugindo do olhar de sua vítima que o perdoa; o isolamento do perverso em meio à multidão que o repele; a perturbação do Espírito, no momento de despertar, e sua surpresa à vista de seu corpo, do qual se admira de estar separado; o Espírito do defunto em meio aos seus ávidos herdeiros e amigos hipócritas; e tantos outros assuntos, tanto mais capazes de impressionar quanto mais de perto tocarem a vida real.
Quer o artista elevar-se acima da esfera terrestre? Encontrará temas não menos atraentes nesses mundos felizes que os Espíritos gostam de descrever, verdadeiros Édens de onde o mal foi banido, e nesses mundos ínfimos, verdadeiros infernos, onde todas as paixões reinam soberanamente.
Sim, repetimos, o Espiritismo abre para a Arte um campo novo, imenso e ainda não explorado, e quando o artista espírita trabalhar com convicção, como trabalharam os artistas cristãos, colherá nessa fonte as mais sublimes inspirações.
Quando dizemos que a arte espírita será um dia uma arte nova, queremos dizer que as ideias e as crenças espíritas darão às produções do gênio um cunho particular, como ocorreu com as ideias e crenças cristãs, e não que os assuntos cristãos caiam em descrédito; longe disto; mas, quando um campo está respigado, o ceifador vai colher alhures, e colherá abundantemente no campo do Espiritismo. Ele já o fez, sem dúvida, mas não de maneira tão especial quanto o fará mais tarde, quando for encorajado e excitado pelo assentimento geral; quando estas ideias estiverem popularizadas, o que não pode tardar, pois os cegos da geração atual diariamente desaparecem da cena, por força das coisas, e a geração nova terá menos preconceitos. A pintura mais de uma vez inspirou-se em ideias deste gênero. A poesia, sobretudo, está cheia delas, mas estão isoladas, perdidas na multidão. Tempo virá em que elas farão surgir obras magistrais, e a arte espírita terá seus Rafael e seus Michelângelo, como a arte pagã teve os seus Apeles e os seus Fídias.








Espiritismo e Arte


Leia e baixe para você a resolução da FEB sobre o uso da Arte na casa espírita.
O documento, instituído através da Resolução CFN nº 05/2014, estabelece 3 diretrizes de ação:
-  a difusão da Doutrina Espírita por meio da arte;
-  a capacitação técnico-pedagógica e doutrinária dos trabalhadores da arte;
-  e o estímulo ao uso da arte nas instituições espíritas. 

A Resolução está disponível no portal da FEB. 


Slaids sobre Arte Espírita, créditos site: https://www.toquenaalma.net/
 Slaids Arte Espírita


O que é Arte e  influência do Espiritismo sobre a Arte

O que é Arte:
“A beleza é um dos atributos divinos. Deus colocou nos seres e nas coisas esse misterioso encanto que nos atrai, nos seduz, nos cativa e enche a alma de admiração. A arte é a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna, da qual aqui na Terra não percebemos senão um reflexo.”León Denis. O Espiritismo na arte
“A arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse ‘mais além’ que polariza as esperanças das almas”.Francisco Cândido Xavier. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel
“Colaborar na Cristianização da Arte, sempre que se lhe apresentar ocasião. A Arte deve ser o Belo criando o Bom.” Waldo Vieira. Conduta Espírita. Pelo Espírito André Luiz
Objetivo da Arte:
“A arte tem como meta materializar a beleza invisível de todas as coisas, despertando a sensibilidade e aprofundando o senso de contemplação, promovendo o ser humano aos páramos da Espiritualidade. Graças à sua contribuição, o bruto se acalma, o primitivo se comove, o agressivo se apazigua, o enfermo se renova, o infeliz se redescobre, e todos os outros indivíduos ascendem na direção dos Grandes Cimos.”
Vianna de Carvalho. Atualidade do Pensamento Espírita, por Divaldo Franco
Evolução da Arte:
“A arte se eleva e progride em todos os graus da escala da vida realizando formas cada vez mais nobres e perfeitas, que se aproximam da fonte divina de eterna beleza.” DENIS, Léon. O Espiritismo na arte. 2.e. Rio de Janeiro: Publicações Lachâtre, 1994. […] “Desse modo, evolui do grotesco ao transcendental, aprimorando as qualidades e tendências, que estarão sempre à frente dos comportamentos de cada época. Lentamente, a Arte se desenvolve alterando os conteúdos e melhor qualificando a mensagem de que se faz portadora”.
Vianna de Carvalho. Atualidade do Pensamento Espírita, por Divaldo Franco.
“O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as informações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis superiores da harmonia e de beleza que regem o universo, vem oferecer aos nossos pensadores e artistas inesgotáveis temas de inspiração.”Léon Denis – O Espiritismo na Arte
“As Artes não sairão do torpor em que jazem, senão por meio de uma reação no sentido das idéias espiritualistas.” […]
“[…] É matematicamente certo dizer que, sem crença as artes carecem de vitalidade e que toda transformação filosófica acarreta necessariamente uma transformação artística paralela.”Allan Kardec – Obras Póstumas
“Assim como a arte cristã sucedeu à arte pagã, transformando-a, a arte espírita será o complemento e a transformação da arte cristã.”Allan Kardec – Obras Póstumas
“O Espiritismo irá depurar a arte que conhecemos e esta arte, depurada, será aquela inspirada nos ensinamentos da Doutrina Espírita”. […]
Espírito Rossini – Obras Póstumas
Sem dúvida, o Espiritismo abre à arte um campo inteiramente novo, imenso e ainda inexplorado. Quando o artista houver de reproduzir com convicção o mundo espírita, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações e seu nome viverá nos séculos vindouros, porque, às preocupações de ordem material e efêmeras da vida presente, sobreporá o estado da vida futura e eterna da alma.Allan Kardec – Obras Póstumas
O verme é verme, torna-se bicho da seda, depois borboleta. Que há de mais etéreo, de mais gracioso do que uma borboleta? Pois bem! a arte pagã é o verme; a arte cristã é o casulo; a arte espírita será a borboleta.Espírito Alfred Musset – Revista Espírita 1860
“[…] Oh! Sim, o Espiritismo terá influência sobre a música! Como poderia não ser assim? Seu advento transformará a arte, depurando-a. Sua origem é divina, sua força o levará a toda parte onde haja homens para amar, para elevar-se e para compreender. Ele se tornará o ideal e o objetivo dos artistas. Pintores, escultores, compositores, poetas irão buscar nele suas inspirações e ele lhas fornecerá, porque é rico, é inesgotável”.
“Toda gente reconhece a influência da música sobre a alma e sobre o seu progresso. Mas, a razão dessa influência é em geral ignorada. Sua explicação está toda neste fato: que a harmonia coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa.”Espírito Rossini – Obras Póstumas
O artista:
“O artista verdadeiro é sempre o „médium‟ das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, sabedoria, paz e amor.”
Francisco Cândido Xavier. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel
“Os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas cristalizações do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das ideias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos da atividade que lhes é próprio, como a literatura, a música, a pintura, a plástica.
Francisco Cândido Xavier. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel
Perante a Arte
Colaborar na Cristianização da Arte, sempre que se lhe apresentar ocasião.A Arte deve ser o Belo criando o Bem.Repelir, sem crítica azeda, as expressões artísticas, torturadas que exaltem a animalidade ou a extravagância.O trabalho artístico que trai a Natureza nega a si próprio.Burilar incansavelmente as obras artísticas de qualquer gênero.Melhoria buscada, perfeição entrevista.Preferir as composições artísticas de feitura espírita integral, preservando-se a pureza doutrinária.A arte enobrecida estende o poder do amor.Examinar com antecedência as apresentações artísticas para as reuniões festivas nos arraiais espíritas, dosando-as e localizando-as segundo as condições das assembleias a que se destinem.A apresentação artística é como o ensinamento: deve observar condições e lugar.
André Luiz – Conduta Espírita – Psicografia: Waldo Vieira

Arte na visão de Emmanuel

Que é a arte?

Emmanuel - A arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse "mais além" que polariza a esperança da alma.

O artista verdadeiro é sempre o "médium" das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o Infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor.


Todo artista pode ser também um missionário de Deus?

Emmanuel - Os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas cristalizações do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das ideias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos da atividade que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica.

Sempre que sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para considerar tão-somente a luz espiritual que vem do coração uníssono com o cérebro, nas realizações da vida, então o artista é um dos mais devotados missionários de Deus, porquanto saberá penetrar os corações na paz da meditação e do silêncio, alcançando o mais alto sentido da evolução de si mesmo e de seus irmãos em humanidade.



Pode alguém se fazer artista tão-só pela educação especializada em uma existência?

Emmanuel - A perfeição técnica, individual de um artista, bem como as suas mais notáveis características, não constituem a resultantes das atividades de uma vida, mas de experiências seculares na Terra e na esfera espiritual, porquanto o gênio, em qualquer sentido, nas manifestações artísticas mais diversas, é a síntese profunda de vidas numerosas, em que a perseverança e o esforço se casaram para as mais brilhantes florações da espontaneidade.



Como devemos compreender o gênio?

Emmanuel - O gênio constitui a súmula dos mais longos esforços em múltiplas existências de abnegação e de trabalho, na conquista dos valores espirituais.

Entendendo a vida pelo seu prisma real, muita vez desatende ao círculo estreito da vida terrestre, no que se refere às suas fórmulas convencionais e aos seus preconceitos, tornando-se um estranho ao seu próprio meio, por suas qualidades superiores e inconfundíveis.

Esse é o motivo por que a ciência terrestre, encarcerada nos cânones do convencionalismo, presume observar no gênio uma psicose condenável, tratando-o, quase sempre, como a célula enferma do organismo social, para glorifica-lo, muitas vezes, depois da morte, tão logo possa aprender a grandeza da sua visão espiritual na paisagem do futuro.




Como poderemos entender o psiquismo dos artistas, tão diferente do que caracteriza o homem comum?

Emmanuel - O artista, de um modo geral, vive quase sempre mais na esfera espiritual que propriamente no plano terrestre. Seu psiquismo é sempre a resultante do seu mundo íntimo, cheio de recordações infinitas das existências passadas, ou das visões sublimes que conseguiu apreender nos círculos de vida espiritual, antes da sua reencarnação no mundo. Seus sentimentos e percepções transcendem aos do homem comum, pela sua riqueza de experiências no pretérito, situação essa que, por vezes, dá motivos à falsa apreciação da ciência humana, que lhe classifica os transportes como neurose ou anormalidade, nos seus erros de interpretação.

É que, em vista da sua posição psíquica especial, o artista nunca cede às exigências do convencionalismo do planeta, mantendo-se acima dos preconceitos contemporâneos, salientando-se que, muita vez, na demasia de inconsiderações pela disciplina, apesar de suas qualidades superiores, pode entregar-se aos excessos nocivos à liberdade, quando mal dirigida ou falsamente aproveitada.
Eis por que, em todas as situações, o ideal divino da fé será sempre o antídoto dos venenos morais, desobstruindo o caminho da alma para as conquistas elevadas da perfeição.



No caso dos artistas que triunfaram sem qualquer amparo do mundo e se fizeram notáveis tão-só pelos valores da sua vocação, traduzem suas obras alguma recordação da vida no Infinito?

Emmanuel - As grandes obras-primas da arte, na maioria das vezes, significam a concretização dessas lembranças profundas. Todavia, nem sempre constituem um traço das belezas entrevistas no Além pela mentalidade que as concebeu, e sim recordações de existências anteriores, entre as lutas e as lágrimas da Terra.

Certos pintores notáveis, que se fizeram admirados por obras levadas a efeito sem os modelos humanos, trouxeram à luz nada mais nada menos que as suas próprias recordações perdidas no tempo, na sombra apagada da paisagem de vidas que se foram. Relativamente aos escritores, aos amigos da ficção literária, nem sempre as suas concepções obedecem à fantasia, porquanto são filhas de lembranças inatas, com as quais recompõem o drama vivido pela sua própria individualidade nos séculos mortos.

O mundo impressivo dos artistas tem permanentes relações com o passado espiritual, de onde os extraem o material necessário à construção espiritual de suas obras.



O grandes músicos, quando compõem peças imortais, podem ser também influenciados por lembranças de uma existência anterior?

Emmanuel - Essa atuação pode verificar-se no que se refere às possibilidades e às tendências, mas, no capítulo da composição, os grandes músicos da Terra, com méritos universais, não obedecem a lembranças do pretérito, e sim a gloriosos impulsos das forças do Infinito, porquanto a música na Terra é, por excelência, a arte divina.

As óperas imortais não nasceram do lodo terrestre, mas da profunda harmonia do Universo, cujos cânticos sublimes foram captados parcialmente pelos compositores do mundo, em momentos de santificada inspiração.

Apenas desse modo podereis compreender a sagrada influência que a música nobre opera nas almas, arrebatando-as, em quaisquer ocasiões, às ideias indecisas da Terra, para as vibrações do íntimo com o Infinito.

 

Os Espíritos desencarnados cuidam igualmente dos valores artísticos no plano invisível para os homens?

Emmanuel - Temos de convir que todas as expressões de arte na Terra representam traços de espiritualidade, muitas vezes estranhos à vida do planeta.

Através dessa realidade, podereis reconhecer que a arte, em qualquer de suas formas puras, constitui objeto da atenção carinhosa dos invisíveis, com possibilidades outras que o artista do mundo está muito longe de imaginar.

No Além, é com o seu concurso que se reformam os sentimentos mais impiedosos, predispondo as entidades infelizes às experiências expiatórias e purificadoras. E é crescendo nos seus domínios de perfeição e de beleza que a alma envolve para Deus, enriquecendo-se nas suas sublimes maravilhas.



A emotividade deve ser disciplinada?

Emmanuel - Qualquer expressão emotiva deve ser disciplinada pela fé, porquanto a sua expansão livre, na base das incompreensões do mundo, pode fazer-se acompanhar de graves consequências.


Com tantas qualidades superiores para o bem, pode o artista de gênio transformar-se em instrumento do mal?

Emmanuel - O homem genial é como a inteligência que houvesse atingido as mais perfeitas condições de técnica realizadora; essa aquisição, porém, não o exime da necessidade de progredir moralmente, iluminando a fonte do coração.

Em vista de numerosas organizações geniais, não haverem alcançado a culminância de sentimento é que temos contemplado, muitas vezes, no mundo, os talentos mais nobres encarcerados em tremendas obsessões, ou anulados em desvios dolorosos, porquanto, acima de todas as conquistas propriamente materiais, a criatura deve colocar a fé, como o eterno ideal divino.



De modo geral, todos os homens terão de buscar os valores artísticos para a personalidade?

Emmanuel - Sim; através de suas vidas numerosas a alma humana buscará a aquisição desses patrimônios, porquanto é justo que as criaturas terrenas possam levar da sua escola de provações e de burilamento, que é o planeta, todas as experiências e valores, suscetíveis de serem encontrados nas lutas da esfera material.


Existem, de fato, uma arte antiga e uma arte moderna?

Emmanuel - A arte envolve com os homens e, representando a contemplação espiritual de quantos a exteriorizam, será sempre a manifestação da beleza eterna, condicionada ao tempo e ao meio de seus expositores.

A arte, pois, será sempre uma só, na sua riqueza de motivos, dentro da espiritualidade infinita.

Ponderemos, contudo, que, se existe hoje grande número de talentos com a preocupação excessiva de originalidade, dando curso às expressões mais extravagantes de primitivismo, esses são os cortejadores irrequietos da glória mundana que, mais distanciados da arte legítima, nada mais conseguem que refletir a perturbação dos tempos que passam, apoiando o domínio transitório da futilidade e da força. Eles, porém. Passarão como passam todas as situações incertas de um cataclismo, como zangões da sagrada colmeia da beleza divina, que, em vez de espiritualizarem a Natureza, buscam deprimi-la com as suas concepções extravagantes e doentias.


Emmanuel;
Médium: Francisco Cândido Xavier;

Do livro: O Consolador, II Parte, questões 161 até 172.



Os Espíritos se interessam pela arte?
     “Sim, de acordo com a evolução de cada um. Para uns é a continuidade de sensações de baixo escalão, que tinham quando encarnados, para outros um exercício de crescimento pessoal. Para alguns uma terapia de reequilíbrio mental, para outros uma prova e aprendizado para futura encarnação.”

(O Livro dos Espíritos. Questão 251)

Deixa que teu coração voe, além do horizonte, nas asas da música sublime que verte do Céu a Terra, a fim de conduzir-te da Terra ao Céu... Ouve-lhe os poemas de eterna beleza, em cuja exaltação da harmonia tudo é gloriosa ascensão.
Nesse arrebatamento às Esferas do Sem Fim, o silêncio será criação excelsa em tua alma, a lágrima ser-te-á soberana alegria e a dor será teu cântico. Escuta e segue a flama do pensamento que transpõe a rota dos mundos, associando tuas preces de jubilosa esperança às cintilações das estrelas!...

Não te detenhas. Cede à cariciosa influência da melodia que te impele à distância da sombra, para que a luz te purifique, pois a música que te eleva a emoção e te descerra a grandeza da vida significa, entre os homens, a mensagem permanente de Deus.             F.C Xavier/Emmanuel, em Trilha de Luz


Livro dos Espíritos, Questão nº 251 
 “Os Espíritos são sensíveis à música? - Quereis falar de vossa música? O que é ela diante da música celeste? Desta harmonia que nada sobre a Terra pode vos dar uma idéia? Uma é para a outra o que o canto do selvagem é para a suave melodia. Entretanto, os Espíritos vulgares podem experimentar um certo prazer em ouvir a vossa música, porque não são ainda capazes de compreender outra  mais sublime. A música tem para os Espíritos encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. Refiro-me à música celeste, que é tudo o que a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e de mais suave.” 

O Consolador, Questão nº 167 - F. C. Xavier/Emmanuel 
“(...) As óperas imortais não nasceram do lodo terrestre, mas da profunda harmonia do Universo, cujos cânticos sublimes foram captados parcialmente pelos compositores do mundo, em momentos de santificada inspiração.

Apenas deste modo podereis compreender a sagrada influência que a música nobre opera nas almas, arrebatando-as, em quaisquer ocasiões, às idéias indecisas da Terra, para as vibrações do íntimo com o Infinito.”

“No seu início, o homem não tem senão instintos; mais avançado e corrompido só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o ponto mais delicado do sentimento é o amor...”. (E.S.E., Cap. XI)

“O amor é o eterno fundamento da educação”. Henrique Pestalozzi


“Educação é o desenvolvimento natural, progressivo e harmonioso de todos os poderes e faculdades do ser.” Henrique Pestalozzi

EU SOU A MÚSICA 
Texto Anônimo (*) 
Eu sou a música; das artes, a mais antiga.
Eu sou mais que antiga, eu sou eterna.
Mesmo antes da vida começar nesta Terra, eu já estava aqui – nos ventos e nas ondas.
Quando as primeiras árvores, flores e pastos apareceram, eu estava entre eles...
E quando o Homem surgiu, tornei-me imediatamente o veículo mais delicado, mais sutil e mais poderoso para a manifestação de suas emoções.
Quando os homens eram pouco mais que animais, eu os influenciei de forma benéfica.
Em todas as eras, inspirei os homens com esperança; inflamei o seu amor; dei-lhes voz para suas alegrias; estimulei-os para realizarem valorosas façanhas; e os consolei nas horas de desespero.
Representei um grande papel no drama da vida, cujo alvo e propósito eram a grande perfeição da natureza do Homem. Através da minha influência, a natureza humana elevou-se, abrandou-se e tornou-se mais aprimorada.
Com a ajuda dos homens, tornei-me uma Arte Superior.
Possuo uma grande quantidade de vozes e de instrumentos.
Estou no coração de todos os homens e nas suas línguas, em todas as terras, entre todos os povos; o ignorante e o analfabeto me conhecem, tanto quanto o rico e o erudito, pois eu falo a todos os homens, numa linguagem que todos entendem. Até os surdos conseguirão me escutar, se prestarem atenção às vozes de suas próprias almas.
Sou o alimento do amor.
Ensinei aos homens a delicadeza e a paz: e os conduzi na direção de feitos heróicos.
Levo conforto aos solitários e concilio os conflitos das multidões. (...)
Eu sou a MÚSICA. 

(*) Do livro As energias curativas da música, de Hal A. Lingerman. 


trecho do Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 13, item 16

"...E todos vós, que podeis produzir, daí: daí o vosso gênio, daí as vossas inspirações, daí o vosso coração, que Deus vos abençoará. POETAS, LITERATUS, que sois lidos somente pela gente de sociedade, preenchei os seus lazeres, mas que o produto de algumas de vossas obras seja destinado ao alívio dos infelizes. PINTORES, ESCULTORES, ARTISTAS de todos os gêneros, que a vossa inteligência venha também ajudar os vossos irmãos: não tereis menos glória por isso, e eles terão alguns sofrimentos a menos. (...)


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