Poesias

Nesta página coloco algumas poesias que fiz com inspiração da espiritualidade.
Ofereço a você que está a ler.










Produzindo mais...em breve!!!




Vídeo produzido por amigos do Maranhão para encerrar um evento espírita de Arte

Poesia Humilde Artista.












Poesia: Qualquer um

Qualquer um não era má pessoa
Sempre na rua auxiliava a muitos, tinha fé boa
Só que do mais importante ele esquecia
Sua família, seu lar, sem ele padecia.

Era religioso e vivia para suas atividades
E sempre dizia: O resto são amenidades
A mulher o cobrava: - Marido! A família precisa de você
Hoje não dá, estou atrasado, preciso correr

De segunda a sexta sabe que vou ao centro
Sou homem de responsabilidades
Sábado e domingo tenho várias atividades
Todos me esperam, sempre tem um evento.

Marido, e amanhã? Nossa casa está um escarcéu
Não tenho tempo, procure um marido de aluguel
Seu filho pedia: - Papai, vamos passear?
Não posso, tenho que trabalhar.

E assim prosseguia, Qualquer um, sempre ocupado
Preenchia com o trabalho e o centro todo seu tempo
E sua mulher, filhos e lar relegados
Sua ausência para a família era um tormento.

E de tanto trabalho um dia Qualquer um desencarnou
Após o inconsciente, de repente ele acordou
Procurou logo o Céu, mas algo foi para ele surpreendente
Um lugar escuro, fumacento e com muito ranger de dentes.

Ele não acreditava no que via,
E logo para seu mentor ele rezou
Após um tempo em um clarão de luz ele chegou
- Qualquer um o que foi? Não era bem o que você previa?

O que faço aqui neste lugar?
Deve haver um engano, e começou a resmungar
O mentor tudo ouviu e com um sorriso
Esclareceu Qualquer um, do motivo.

Você realmente a muita gente ajudou
E nisso você tem créditos, mas em um campo você fracassou
Sua maior missão você deixou de lado
O lar e a família são nosso maior legado.

Mas como disse nosso querido Chico
Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo
Mas qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim
É a lei da reencarnação, invertendo os papeis dos afins.

Reencarnarás novamente para outro recomeço.
Mas agora o papel será invertido
Para resgatar seu tropeço

Serás o filho e não mais o marido.
E assim qualquer um pode aprender a lição
Que o lar é nossa maior instituição.


Cleiton Freitas




















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Como Declamar uma Poesia


Achei muito boa as dicas para declamar de Liliana de Carvalho



A MENSAGEM DEVE FALAR AO SEU CORAÇÃO: Minha primeira dica, aquela que eu considero mais importante, evite declamar uma poesia que não tenha falado ao seu coração. Antes de você tentar comunicar uma mensagem para outras pessoas, ela deve ser interiorizada em sua alma. É impossível transmitir com verdade algo que você não acredita. Como falar ao outro se você mesmo não se convenceu daquela mensagem?
TEMA PROPÍCIO PARA A OCASIÃO: Uma outra preocupação que o declamador precisa ter ao escolher uma poesia é se o tema é propicio para aquela ocasião. Se o momento é de comemoração de aniversário, escolha os temas que falam de vida, de celebração, de gratidão. Se for uma homenagem a uma pessoa, veja se a mensagem corresponde a realidade do homenageado. Um exemplo de um erro: homenagear alguém que não teve filhos ou não casou, com uma poesia que fale das bênçãos dos filhos, netos, cônjuges, etc.
COMPREENDER A MENSAGEM: Este é um cuidado que o declamador deve ter, antes mesmo de decorar o poema. É necessário compreender o que significa cada termo que lhe seja desconhecido. Faça também uma boa leitura de todo texto, verifique as pontuações e faça todas as pausas necessárias. A memorização deve ser feita corretamente, para que o sentido das frases não seja quebrado ou fique sem expressão. Posteriormente daremos dicas de memorização.
DECORAR OU NÃO O TEXTO: Decore todo o texto e tenha certeza de que ele ficou gravado em sua memória. Caso você não tenha conseguido decorar, leve a poesia escrita e coloque-a sobre o púlpito ou estante. É melhor uma bela e boa leitura, do que o esquecimento e a mensagem ficar incompleta por falha da memória na hora da declamação.
O FUNDO MUSICAL: Se for possível, escolha um bom fundo musical. Pode ser blay back ou um instrumento como piano, órgão, vilão. Tenha cuidado com a seleção da música, para que sua mensagem esteja em sintonia com o tema do poema. Por exemplo: se a poesia for festiva, o fundo musical não deve ser sombrio.
O AUTOR DA POESIA: Este nunca deve ser esquecido. A quem honra, honra. A menos que ele seja desconhecido, o nome do autor deve ser o primeiro a ser citado, vindo depois o título da poesia e só então a declamação. Entretanto, não cite o autor e nome da poesia como se estive declamando.
Exemplos:
1. De Myrtes Mathias, MENINA SEM NOME.
Magrinha, sem nome, vestida de trapos, lá vai pela rua……
2. De Mário  Barreto França, MORREREI ESTA NOITE.
A imprensa anunciou irada e com alarde, mais um crime de morte…..
ADAPTAÇÕES POSSÍVEIS OU NÃO: É possível fazer algumas adaptações sem ferir a obra do autor. Como por exemplo, os gêneros das palavras, do feminino para o masculino, e vice-versa. Veja abaixo a parte final da poesia de Myrtes Mathias, Caminhos da Vida:
TEXTO ORIGINAL:
Forasteiro, estrangeiro, em busca da Pátria, cantando a canção que o mundo não entende, prossigo subindo o caminho estreito….
EU SEMPRE DECLAMEI MUDANDO PARA O GÊNERO FEMININO: Forasteira, estrangeira, em busca da Pátria, cantando a canção que o mundo não entende, prossigo subindo o caminho estreito….
Contudo na Poesia, também de Myrtes, ASSIM CANTARIA BARRABÁS, eu nunca mudei o gênero, pois estou contando a possível história deste homem. Não sou eu quem descreve a narrativa, e sim o próprio Barrabás. Assim, o declamador faz o personagem.
Não há necessidade de comunicar ao público estas mudanças.
NARRATIVAS: Eu sempre fui convidada para fazer narração em cantadas, programas e cultos. Por vezes, nas narrações as adaptações são necessárias. Fiz a narrativa de um musical infantil que cantava as histórias da bíblia. Além de ser a narradora, fui a autora do texto. Como grande parte havia citação de textos bíblicos, onde Deus falava ao seu povo, eu precisei usar uma mudança de tom na voz, para que o publico percebesse a diferença entre a Liliana e a pessoa de Deus.
POESIAS COM PALAVRAS DE VOCABULÁRIO ANTIGO: Muitas poesias têm palavras desconhecidas do nosso vocabulário. Não adianta falar um poema que o publico não seja capaz de entender. Eu Liliana, prefiro trocar por palavras sinônimas. Exemplo: Urze = Flores coloridas, arbustos silvestres.
A INTERPRETAÇÃO: Cada um tem o seu estilo. Contudo, é bom observar os gestos que devem coadunar com a fala e nem deve ser exagerado e nem tão pouco pobre. Gosto de usar bastante o olhar. Alias, não consigo me comunicar sem olhar nos olhos das pessoas. Um declamador, um pregador, precisa se comunicar com seu publico através dos olhos. No jogo do olhar, por vezes uso o artifício de alguns segundos de silêncio. Como que convidando o público a uma reflexão sobre o assunto. Uma outra questão na interpretação, que falaremos em outro artigo, é a questão do uso da voz, da entonação. Há declamadores que parecem gritar o tempo todo, como se declamar compreendesse um único estilo: jogar a voz lá em cima e recitar versos em uma mesma cadência.
FINALIZANDO A DECLAMAÇÃO: Não cabe completar nenhuma palavra explicativa do poema, ou qualquer outra coisa quando terminar a declamação. A não ser que a poesia esteja dentro de programação e que a você seja designado terminar este programa ou coisa parecida. Se desejar felicitar alguém, faço-o antes de recitar, para que a mensagem do poema se mantenha viva. Ao finalizar, você pode fazer algum gesto com a mão ou a cabeça. Eu tenho por costume começar com as mãos unidas, citar poeta e tema. Ao terminar, junto novamente as mãos e inclino suavemente a cabeça. As vezes, falo em tom baixo, Amém!

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“Cartas a um jovem poeta”


        Disponibilizo aqui um trecho do livro “Cartas a um jovem poeta” de Rainer Maria Rilke (1875-1926), poeta nascido em Praga, é um dos autores de língua alemã mais conhecidos no Brasil. Suas obras, que tiveram grande influência sobre mais de uma geração de poetas, vêm sendo
publicadas há várias décadas e sempre despertaram muito interesse. No livro ele troca cartas com um jovem poeta que lhe faz várias perguntas sobre a poesia.

     René Rilke envia cartas a Rainer mostrando sua poesia e pedindo uma avaliação, vejam a beleza da resposta de Rainer, em uma carta, que é o primeiro capítulo:

    Um conceito do que é a poesia!

Paris, 17 de fevereiro de 1903
Prezado Senhor,

     Sua carta só me alcançou há poucos dias. Quero lhe agradecer por sua grande e amável confiança. Mas é só isso o que posso fazer. Não posso entrar em considerações sobre a forma dos seus versos; pois me afasto de qualquer intenção crítica. Não há nada que toque menos uma obra de arte do que palavras de crítica: elas não passam de mal-entendidos mais ou menos afortunados. As coisas em geral não são tão fáceis de apreender e dizer como normalmente nos querem levar a acreditar; a maioria dos acontecimentos é indizível, realiza-se em um espaço que nunca uma palavra penetrou, e mais indizíveis do que todos os acontecimentos são as obras de arte, existências misteriosas, cuja vida perdura ao lado da nossa, que passa.

    Feita essa observação prévia, posso lhe dizer ainda que seus versos não possuem uma forma própria, mas apenas indicações silenciosas e veladas de personalidade. Sinto esse tipo de indicação de modo mais claro no último poema, "Minha alma". Ali, algo de próprio quer ganhar expressão. E no belo poema "A Leopardi" talvez se desenvolva uma espécie de afinidade com aquele grande solitário. Apesar disso, os poemas ainda não são independentes, não têm autonomia, mesmo o último e o dedicado a Leopardi. Sua carta amável que os acompanha não deixou de me esclarecer alguma insuficiência que senti ao ler seus versos, sem no entanto ser capaz de designá-la pelo nome.

    O senhor me pergunta se os seus versos são bons. Pergunta isso a mim. Já perguntou a mesma coisa a outras pessoas antes. Envia os seus versos para revistas. Faz comparações entre eles e outros poemas e se inquieta quando um ou outro redator recusa suas tentativas de publicação. Agora (como me deu licença de aconselhá-lo) lhe peço para desistir de tudo isso. O senhor olha para fora, e é isso sobretudo que não devia fazer agora. Ninguém pode aconselhá-lo e ajudá-lo, ninguém. Há apenas um meio. Volte-se para si mesmo. Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E, se ela for afirmativa, se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples "Preciso", então construa sua vida de acordo com tal necessidade; sua vida tem de se tornar, até na hora mais indiferente e irrelevante, um sinal e um testemunho desse impulso. Então se aproxime da natureza. Procure, como o primeiro homem, dizer o que vê e vivencia e ama e perde. Não escreva poemas de amor; evite a princípio aquelas formas que são muito usuais e muito comuns: são elas as mais difíceis, pois é necessária uma força grande e amadurecida para manifestar algo de próprio onde há uma profusão de tradições boas, algumas brilhantes. Por isso, resguarde-se dos temas gerais para acolher aqueles que seu próprio cotidiano lhe oferece; descreva suas tristezas e desejos, os pensamentos passageiros e a crença em alguma beleza - descreva tudo isso com sinceridade íntima, serena, paciente, e utilize, para se expressar, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Caso o seu cotidiano lhe pareça pobre, não reclame dele, reclame de si mesmo, diga para si mesmo que não é poeta o bastante para evocar suas riquezas; pois para o criador não há nenhuma pobreza e nenhum ambiente pobre, insignificante. Mesmo que estivesse em uma prisão, cujos muros não permitissem que nenhum dos ruídos do mundo chegasse a seus ouvidos, o senhor não teria sempre a sua infância, essa riqueza preciosa, régia, esse tesouro das recordações? Volte para ela a atenção. Procure trazer à tona as sensações submersas desse passado tão vasto; sua personalidade ganhará firmeza, sua solidão se ampliará e se tornará uma habitação a meia-luz, da qual passa longe o burburinho dos outros. E se, desse ato de se voltar para dentro de si, desse aprofundamento em seu próprio mundo, resultarem versos, o senhor não pensará em perguntar a alguém se são bons versos. Também não tentará despertar o interesse de revistas por tais trabalhos, pois verá neles seu querido patrimônio natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. É no modo como ela se origina que se encontra seu valor, não há nenhum outro critério. Por isso, prezado senhor, eu não saberia dar nenhum conselho senão este: voltar-se para si mesmo e sondar as profundezas de onde vem a sua vida; nessa fonte o senhor encontrará a resposta para a questão de saber se precisa criar. 

    Aceite-a como ela for, sem interpretá-la. Talvez ela revele que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso, aceite sua sorte e a suporte, com seu peso e sua grandeza, sem perguntar nunca pela recompensa que poderia vir de fora. Pois o criador tem de ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si mesmo e na natureza, da qual se aproximou. Mas talvez, depois desse mergulho em si mesmo e em sua solidão, o senhor tenha de renunciar a ser um poeta (basta, como foi dito, sentir que seria possível viver sem escrever para não ter mais o direito de fazê-lo). Mesmo assim não terá sido em vão o exame de consciência que lhe peço. Seja como for, sua vida encontrará a partir dele caminhos próprios, e que eles sejam bons, ricos e vastos é o que lhe desejo mais do que posso manifestar. O que ainda devo dizer ao senhor? Parece-me que tudo foi enfatizado da maneira apropriada; por fim, gostaria apenas de aconselhá-lo a passar com serenidade e seriedade pelo período de seu desenvolvimento. Não há meio pior de atrapalhar esse desenvolvimento do que olhar para fora e esperar que venha de fora uma resposta para questões que apenas seu sentimento íntimo talvez possa responder, na hora mais tranqüila. Foi para mim uma alegria encontrar em sua carta o nome do professor Horacek; guardo uma grande estima por esse amável sábio, e uma gratidão que se mantém através dos anos. Por favor, mencione a ele o que sinto; é muita bondade que ainda se recorde de mim, e sei apreciá-la.
   
   Devolvo também os versos que o senhor me confiou amigavelmente. E lhe agradeço mais uma vez pela grandeza e pela cordialidade de sua confiança, de que procurei me tornar um pouco mais digno do que realmente sou, como um estranho, por meio desta resposta sincera, feita da melhor maneira que pude.

Com toda devoção e toda simpatia,

Rainer Maria Rilke  

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